VanGoghizer Plus Série Gold
- Guilherme Arantes
- 11 de jun.
- 2 min de leitura
Vou recapitular um conceito que já expús anteriormente.
A questão das limitações da arte gerada pela IA é bastante simples de se entender, para mim não há controvérsia alguma.
A "modernidade" sonha em transformar tudo em "produto" .
Mas o que determina a arte NÃO SE LIMITA AO PRODUTO. Vai muito além.
O "produto" é importante, mas é apenas uma parte.
Existe um contexto no qual a arte acontece.
E esse contexto, na minha opinião, chama-se VIDA.
Vida humana.
Vamos tomar como exemplo (extremo) os famosos girassóis de Van Gogh.
Porque são famosos ?
Porque houve toda uma vida singular por trás.
Houve uma história, uma Saga, uma trajetória única, extremamente humana, da mais completa "individuação".
Um ser humano com tamanhas peculiaridades e dramas, com elementos até patológicos de um quadro psíquico muito especial.
Uma visão de mundo revolucionária, num momento da arte em que surgem simultâneos movimentos e tendências estéticas, toda uma geração completamente maluca e efervescente, um mercado da arte em convulsões teóricas sem precedentes na história da Arte.
Enquanto isso, existiu uma pessoa vulcânica, isolada num inconformismo e numa incompreensão limítrofes da loucura.
Existiu o irmão de Van Gogh, Theo, que era curador de arte e trabalhava com marchands, e que lutava para estabelecer um espaço para a revolução da arte de Vincent numa cena parisiense muito peculiar.
Existiu muito mais gente nessa história, por todo o caminho tortuoso daquele maluco-beleza, gente pobre, gente rica, gente certa, gente errada, gente burra, gente sensível, inúmeros personagens que entraram para a História justamente por acreditarem ( ou por não terem acreditado ) na esquisitice de Vincent.
Então não é só um pintor. É toda uma lenda.
Lendas valem milhões.
Hoje, existem softwares e plugins de Illustrator, de Photoshop, que replicam as pinceladas, o pontilhismo, as cores e as geniais deformações de traço de Vincent.
IA Vincent, Artificial Vangogh, Art Transfer, Vangogh-izator Plus Serie Gold, Vangogh-izer Pro, dêem o nome que quiserem, são fakes. São "covers" .
É uma espécie de brincadeira, talvez divertida.
É "arte" ? Não tenho bem certeza o que é.
É derivação de arte.
Um produto gerado com esse software poderá um dia valer 100 milhões de dólares ?
A resposta é não, e aqui não há espaço para questionamentos. Não, é não.
Talvez "por enquanto, a resposta é não" ... porque esse produto teria que agregar novos motivos para novos 100 milhões de dólares...
Sabem porque ?
A discussão, deliciosa, segue aberta por aqui !
Alguém me ajuda por aí ?

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