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O meu, o nosso Tom Jobim

  • Foto do escritor: Guilherme Arantes
    Guilherme Arantes
  • 23 de fev. de 2015
  • 2 min de leitura

Vejo Tom como o mestre maior das harmonias caleidoscopicas. Digo isso porque já me aventurei inumeras vezes, quebrando a cabeça para adivinhar milimetro por milimetro cada passo ousado no encadeamento dos acordes, conseguindo tirar de ouvido as complexidades cromáticas, eu, que não fui nativo da tradição do samba-canção e nem da bossa nova, enfrentei cara a cara esse desafio, sem nenhuma partitura, cifra ou professor, nem mesmo disco para ouvir como referencia, me obriguei simplesmente a adivinhar, e reconstruir Tom, de dentro pra fora, somente pela essencia, não sabendo direito a musica, tentando propor o caminho, eu teria que ser capaz de re-compor da estaca zero, sem erro nem enganação o que de mais genial ele poderia ter feito, se subiria, se desceria, um jogo infinitesimal de poliedros, piramidal em seu rigor geometrico. Um arquiteto nato, de estruturas sucintas, de cristais preciosos em sequencia alucinada. Surpresas a cada passo. Improbabilidades do praticamente impossível. Só assim eu decifraria o Tom Jobim. E posso dizer que consegui tantas vezes, com muita dificuldade porque o Mestre era danado de sutilezas e detalhes. Aquelas mãos carregavam uma artesania de um Da Vinci, sem muito virtuosismo exibicionista, humilhavam todos os wannabes como eu. Enquanto isso, flutuando sobre esse universo complexo, flutuavam as mais doces e brasileirissimas melodias, existenciais e pungentes... com Tom incorporado em mim pude perceber o quão pequeno e aprendiz eu sempre seria. Analiso suas obras com o espanto perante uma genialidade lancinante. Absorveu Chopin, Debussy, Ravel, Villa Lobos e a monumental dimensão do Jazz, cool e elegante, coloquial em sua erudição fina, gauche na sua displicência transgressora, na obra e na vida. E é por isso tudo que, 20 anos depois daquele dia de uma perda indescritível para mim, estou aqui chorando de saudade de você, Tom. ( 8 de Dezembro de 2014 )

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