O Sono Reparador
- Guilherme Arantes

- 31 de jan. de 2024
- 1 min de leitura
Me conforta lembrar de quando eu era menino,
Deitar no quarto das férias,
cansado da praia, das pescarias, do futebol, ou dos rolimãs e pipas no interior calorento...
O cheirinho da palha do colchão, as cigarras chiando alto nas mangueiras, com seu cheiro da resina pegajosa das mangas, o apito da araraquarense ou o rugido das ondas distantes do mar... o cheiro do spray do litoral... os aromas, sempre os aromas do afeto !
E o bolo da vovó, no forno ? O assado alvissareiro do Natal... Qualquer simples aroma naquela hora, era ouro puro para eu adormecer...feliz.
O sono da criança. Uma infância, uma juventude simples no Brasil...parece um sonho..
E acordar horas depois, novinho em folha...
Hoje me conforta essa lembrança, como se, ao acordar, eu pudesse estar, outra vez, novinho em folha...
Mas é só ilusão.
Sei que, ao acordar, vou logo me tocar de que não me restaurei naquele sono suave, volto a perceber minhas dores e limitações de quem não voltará a estar novinho em folha.
Mas a sensação da simples lembrança desse adormecer...já me conforta.
A vida é isso.
Sempre haverá uma ilusão de um recomeço.
Na verdade, não há recomeço nenhum porque nada volta... sempre será uma retomada do caminho.
Sempre em frente.
Fecho os olhos então, e vou de encontro com minha essencia restaurada, porque o universo que a minha alma fabrica estará sempre novinho em folha.
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