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Tecnofobia

  • Foto do escritor: Guilherme Arantes
    Guilherme Arantes
  • 24 de fev. de 2015
  • 2 min de leitura

Não há nada que me desvie mais do "normal" do que alguma máquina não atender ao chamado. Meu computador mais importante, aquele que levei meses configurando - e que finalmente rodava tudo que eu precisava - piscou, travou, apagou. Na volta, ficou "rodando a bolinha", sem "boot",  e simplesmente me largou na mão, justo quando eu estava fazendo uma música ( finalmente, depois de longa estiagem e inércia criativa... ). Parece ridículo, mas é trágico, perturba tudo o mais...Eu fico num estado de irritabilidade, de intratabilidade que dá até pena de quem estiver por perto... Já sou "reclamão" e "trágico" por natureza... Nessas horas é que percebemos o quanto somos a cada dia mais dependentes, vamos capengando de placa-mãe em placa-mãe, de iphone roubado a ipad travado, atualização desastrada de sistema, "firmware" instalado "by automatic demand"( e que não era pra fazer ) , incompatibilidade de plugins, 16 bits, 32, 64 bits, migração de 286 ,386, 486, Pentium II, III, 4, PowerPC para Intel, I3, I5, I7, Usb para Usb 2, para Usb3, Firewire, Thunderbolt, de IDE para Sata, de Win XP para Vista, para W7, para W8, para 8.1, OSX Tiger, Leopard, Snow Leopard, Lion, Mountain Lion, Mavericks para Yosemite, e a grana então ? Já fizeram as contas ? É bem verdade que hoje as máquinas só faltam andar nas águas e transformar água em vinho, mas o problema é com a gente...sistema nervoso , coluna cervical e lombar em frangalhos... O computador é um tirano. Às vezes dá saudade do velho gravadorzinho cassette com microfone e falante embutido. Mono. Era muito mais rápido, eu fazia uma música por dia... Hoje é um tal de inicializar, configurar, um silêncio estarrecedor até tudo estar rodando... Quando está rodando. Quando não está, dá vontade de pegar o martelo, a marreta...e nem vou dizer o resto. Mas vontade é coisa que dá e passa.  Aliás, estou começando a aprender a não ter mais vontades e desejos - eis a chave da felicidade :  a pessoa deixar pra lá...chutar o balde, jogar a toalha, se entregar ao ócio. Não fazer nada e pronto. Virar Guru e esvaziar a mente. Sabe quando o Guru atinge o "Bharata" ? Quando deixa a barba e o cabelo crescerem desgrenhados, já nem toma banho mais, convive com roupas sujas, restos de comida e até excrementos, atingindo um Estado de Abandono, de Esquecimento e Esvaziamento Pleno : Iluminação . Atingir o "Bharata" seria um misto de indiano com kafkiano... Mas como temos que seguir o cotidiano, dá licença que eu vou lá na Assistência Técnica saber se as minhas esperanças já viraram sucata...Saber se o que me resta é comprar tudo de novo, e alimentar essa usina de lixo que é a modernidade. Meu bom humor hoje depende da bolinha parar de girar e o futuro abrir sua tela para mim.

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