Meu Mundo
- Guilherme Arantes
- 11 de jun.
- 2 min de leitura
25 de Novembro de 1975
Uma mera Terça-Feira.
25 de Novembro de 2025.
Outra mera Terça-Feira.
Minha saída do Moto Perpétuo havia sido traumática para mim, um desastre por absoluta inviabilidade, sem empresário, sem shows nem perspectivas reais além de um repertório rebuscado e grandiloquente (onde uma quilométrica Raça de Heróis era o destaque).
Resolvi seguir meu caminho.
Agora eu seria um Cantor.
Eu queria ser popular.
Eu conhecia um estudiozinho mono, chamado Pauta, na Rua Major Quedinho, esquina com a Rua Santo Antonio ( eu estivera ali gravando com Tom Zé e Tiago Araripe pouco antes de montarmos o Moto Perpétuo ) um estúdio onde havia um piano de cauda ...
Em Outubro eu gravei ali uma demo, com algumas outras músicas menos ambiciosas, tais como À meia-noite, à meia-luz, Descer a Serra, Pégaso Azul, Não fique estática, Antes da Chuva Chegar, Aguas Passadas, em fita de 15 polegadas.
Pedi ao técnico, Claudinho, para fazer umas 10 cópias em rolinhos de 7,5 para então eu percorrer minha Via-Crucis visitando as gravadoras da época, RCA, Rge, Phillips, e a própria Continental da minha ex-banda...
Ouvi um monte de baboseiras, muita "groselha" de produtores, que não era "comercial", que não era em inglês, que não tinha refrão, que era rock demais, ou que não era rock o suficiente, que não era letra fácil, essas coisas ... e eu já estava a ponto de desistir, quando num último esforço, resolvi ir à tal de Som Livre das trilhas de novelas, na Rua Augusta perto da Estados Unidos , exatamente nessa memorável terça-feira, 25 de Novembro.
Fui recebido pela Suely, secretária de Antonio Paladino, diretor comercial, e deixei minha fitinha com um gentleman chamado Otavio Augusto, produtor, AKA Pete Dunaway, cantor de baladas em inglês .
Minha aventura começava ali .
Saí de férias, indo com meus pais para o Guarujá, passar as festas de fim de ano .
Nesse meio-tempo, eu nem poderia imaginar, Otavinho mostraria empolgado a minha fita para um baterista dos conjuntos da época, seu amigo , chamado Juba.
Mostrava como se eu fosse uma grande descoberta sua, aquele garoto de 22 anos, estudante de Arquitetura....
O amigo em questão seria mais tarde o baterista da Blitz, é até até hoje , um grande fã meu de primeira hora .
E eu fiquei muito seu fã também...
Somos orgulhosos de nossa geração !
Pois o Juba foi uma das primeiras pessoas, senão mesmo a primeira testemunha de que a Som Livre se preparava para lançar uma espécie de Elton John brasileiro .
Era eu.
50 anos atrás foi assim.
Meu Mundo e Nada Mais .
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