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O Universo não existe para Obedecer

  • Foto do escritor: Guilherme Arantes
    Guilherme Arantes
  • 11 de jun.
  • 3 min de leitura

A capa do meu novo disco está para se revelar nas proximas semanas...

Talvez nos proximos dias ...

Posso adiantar que ficou maravilhosa, possivelmente a melhor de todos os tempos.

E eu estou plenamente feliz com isso.

Capa de disco é muito importante, porque diz muito, ou melhor, deveria dizer muito mais do que uma simples embalagem.

Como todo o disco, de um modo profundo e abrangente, tudo ali precisa ser pensado e principalmente, "sentido" para funcionar como um "invólucro voluntário" , conter um conceito, de forma precisa e delicada, já que ficará estampada para sempre na relação com o repertório e com as circunstâncias de todo um trabalho que marca um pedaço considerável de nossas vidas.

Desta vez, não é simplesmente mais um disco.

Eu parei minha vida, literalmente, num "freio de arrumação".

O tempo parou.

Houve uma momento em que pude enxergar a vida sem nenhum prazo pela frente, abolí a data de retorno, ví que a "carreira artística" é uma espécie de aberração de produtividade utilitária, com a qual precisamos nos rebelar de vez em quando...

Voces verão que o disco fecha com uma faixa revolucionária no parâmetro "tempo" ... em que, através de um tempo elástico, em câmera-lenta, eu proponho a implosão da teia, do tecido do espaço/tempo em que somos aprisionados.

É uma brincadeira com os ouvintes, que serão transportados para uma dimensão de um filme de arte...

Sabem aquela "sessão da tarde" no cinema, num dia meio fora do calendário... em que você "chutou o balde" e ligou o botão do f(@#₵%#@&^!!!!) -se ?

Pois justamente essa é a reconexäo.

Já repararam como o mundo está absurdo e sem sentido ?

É por causa da "compressão temporal".

Ninguém mais tem tempo para mais nada.

O sinal mais claro é o "culto ao consagrado", a devoção pela miragem que chamam de "sucesso"

A palavra "sucesso" , aliás, é péssima como ponto de partida.

As pessoas, na ânsia de confirmarem o eterno óbvio daquilo que deu certo, paradoxalmente cansaram da palavra "novidade", que é a miragem do materialismo raso.

Um mundo em que tudo se apresenta como "novo" passou a ser monótono, e não há mais atenção alguma em mais nada.

Desatenção geral e total, e de sucesso em sucesso, segue assim um mundo atolado no fracasso da criatividade, colapso do sentimento.

Parei para prestar atenção nisso.

Tempo para a reflexão, a leitura, a meditação, a escuta desprovida de pressa e de prazo, a visão limpa de conceitos pre-concebidos, a ausencia de ruido, o espírito receptivo do silêncio e da lentidão contemplativa do Universo.

De repente, nos resta a falsa ilusão de que tudo neste mundo já teria sido imaginado, projetado, dito, escrito, cantado, desenhado, esculpido, recitado, encenado, e que o que resta ao futuro é reprocessar.

Triste pretensão de se cancelar o inesperado do talento.

Triste pretensão dos medíocres : o fim da História, a Entropia totalitária da inutilidade Humana.

Tudo besteirada.

O Universo é todo inesperado, e é todo ele feito de talento, e não de mera repetição.

É um Universo em expansão e absolutamente rebelde por princípio.

Deus é Rebelde e não existe para obedecer.

A Vida é a Criação Suprema do Inesperado no Universo.

O Nome do meu disco,

A Capa do meu disco,

O Conteúdo do meu disco ...

Para mim, pelo menos...

Trazem uma visão absolutamente revolucionária.

E eu nunca antes havia me sentido assim

 
 
 

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