Presente
- Guilherme Arantes
- 11 de jun.
- 1 min de leitura
O Presente é tudo o que eu tenho, é tudo o que supostamente existe.
Mas no fundo não tenho nada, porque nada existe enquanto fluido no tempo da eterna passagem....
Para um lado, são só memórias.
Para o outro, só esperanças.
O Presente é fugidio, e quando o penso e o fotografo com o meu olho, já nem mais presente está.
Sei que estou e não estou mais.
Sou fluido também, e por isso não consigo saber exatamente o que eu sou, um ser transparente no tempo, algo que vem de onde não existe nada mais e está de passagem para algo que ainda não é nada.
Me sinto esquisito, assim de passagem.
Para onde vou ?
Estou num lugar onde um simples solo de clarineta basta para subverter a realidade e explicar a delicadeza da magia do mundo.
Esse é o único lugar que existe de fato para mim.
Esse lugar está num desenho, num pequeno verso de um poema, num pensamento registrado num guardanapo de papel.
Num sorriso instantâneo perdido no fluxo da multidão, em meio aos milhões de sorrisos e choros das multidões que passaram por mim.
É ali que eu sou real.
Na delicadeza sim, e jamais na truculência da ilusão de um mundo real.
Eu estou ali.
Na delicadeza que molda o mundo.
A única certeza que tenho, a única razão para o meu viver. A Poesia
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