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"Pular" o Carnaval ?

  • Foto do escritor: Guilherme Arantes
    Guilherme Arantes
  • 11 de jun.
  • 2 min de leitura

O Carnaval.

Para muitos, é uma festa da inclusividade, o furdunço de alma tão brasileira, e ao mesmo tempo tão européia, africana, medieval-futurista.

Fico aqui na observação, claro, interessado sim, pelo aspecto plástico e antropo-lúdico, esse happening parangoléico monumental, cultural, essa libação bacante, tão secular e arcaica quanto futurista...

Observação também do frêmito exibicionista, da truculência ignara, de tamanho contato físico-promíscuo e desesperado dos egos, tudo é muito engraçado e ao mesmo tempo muito sem graça, tradição na descarga de serotoninas e endorfinas tão gratuitas, ao mesmo tempo de preço tão caro na contabilidade do afeto de colombinas e pierrôs de pura ilusão.

Há uma outra cena, igualmente divertida para quem observa com atenção.

Para outros-poucos-que-são muitos, para a turminha do "estava todo mundo lá"...é uma outra festa paralela de inúmeras exclusividades, expressão máxima dos círculos de exclusão, dos circuitos dos descolados, dos hypes da "mondanité" obscenamente exibicionista das diferenças, outra tradição cortesã de uma sociedade estratificada em castas, desde antanho...

Eis então o esplendor fascinantemente hipócrita do Carnaval anti-democratico e fulgurante, mesmérico, que um dia (quando eu era moço ) ainda explodia nas colunas sociais, e que hoje encontra caldo de cultura tão favorável nas redes de promoters e influenciadores, um mar de Ibrahims e Zózimos declinados e anjos decaídos nas telas dos smart-estupidophones das vaidades,  e frivolidades de sempre, que nunca foram novidade pra ninguém...

Enfim, o Carnaval não tem explicação.

Especialidade frenética que se adaptou, de européia a brasileira, é 100% invejada pelo mundo, isso eu posso afirmar.. 

Viva o Carnaval !

 

Pra quem é do babado...

Tenho o meu jeito de "pular" o carnaval ...

 

"Pular" no "stricto sensu" ... é óbvio !

 
 
 

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