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Quieto no meu Canto

  • Foto do escritor: Guilherme Arantes
    Guilherme Arantes
  • 11 de jun.
  • 2 min de leitura

Estou quieto no meu canto, fazendo álbum novo.

O que eu poderia me ver tentado a compartilhar publicamente ... está óbviamente sendo concentrado no álbum que virá, por isso o meu silêncio por aqui.

Não é absolutamente "ano sabático" ( como é costumeiro chamar, está na moda ) pois é um ano de febril atividade. Mas é em silêncio social.

Enganam-se os que pensam que estou "em recuperação de saúde" , em repouso, ou mesmo aposentado, ou mesmo rabugento, eremita, ermitão, etc. etc .. nada disso !

É que a nossa atividade ( compor, escrever, tocar e cantar ) se divide em 2 esferas, uma recolhida e outra publicizada.

Neste mundo utilitário, a impressão geral é de que apenas a esfera publicizada tem utilidade prática: tudo o que se pensa vai instantaneamente a público , em tempo real.

Gerando lucro imediato. (ou likes e views, se preferirem)

Shows, platéias, bilheterias.

É isso que nos é cobrado: performance.

Performar é uma atividade social ?

Ninguém se recolhe mais para criar ?

Ora, isto é uma aberração social, mas é o que mais se vê.

O que "não se vê" é ouro puro.

Será o conteúdo do futuro.

Dou muito valor aos meus colegas de profissão que têm os seus recolhimentos e fases de criação sem muita comunicação.

Em geral, esses são os grandes transformadores e relevantes ( para mim ) .

Todos os dias, todas as semanas e meses são de extrema utilidade...

Cada dia se matura um tijolinho de uma obra.

Podemos também chamar o silêncio relativo, social, de "período de detox".

O recolhimento, por outro lado, carrega em si uma atitude crítica em relação ao frenesi social das redes, um dos inúmeros vícios modernos.

As pessoas tendem a achar que só os periodos de maior compartilhamento social é que têm valor.

Enfim, cada um faz o que acha melhor.

Eu poderia talvez viver mais feliz sendo um entertainer, sem as preocupações de viver eternamente " em busca de..." , sem os altos e baixos da angustia criativa, essa mania de escrever, compor, gravar, etc ... pra quê tudo isso ? Já não basta o sucesso ? O que mais pode querer alguém que já conquistou a fama e a grana ?

Bastaria então viver fazendo shows e colhendo aplausos, se comprazendo com o "sucesso" e fabricando dinheiro sem parar ?

Pra que criar ? Para quem ouvir ?

Já não existem hit factories, centrais de "hit makers by demand" , e agora a inteligencia artificial, ora, fazer música hoje em dia, quem é que ainda perde tempo com essa bobagem sem a menor lucratividade ?

o problema é que eu sou como sou .

E sempre fui assim.

E cada um é o que é.

A diferença (abissal) está no repertório.

beijão a todos

 
 
 

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