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Tom Matita Perê

  • Foto do escritor: Guilherme Arantes
    Guilherme Arantes
  • 11 de jun.
  • 2 min de leitura

Por um acaso de Spotify alucinado no carro, na estrada, me deparei com o espanto, diante da monumentalidade complexa de Matita Perê, do nosso gênio descomunal, o Tom de um delírio chamado Brasil.

Como estou produzindo disco, primeiro me chamou a atenção a arregimentação de músicos e os arranjos inacreditáveis ... claro... uma produção típica do que não se produz mais neste mundo !!!

Imagine o custo daquilo ... daquela orquestra, daquelas gravações, numa obra 100% de Arte.

O Claus Ogerman estava mesmo com a febre na caneta... e o Tom estava completamente nas nuvens... que arranjos mirabolantes ... e os músicos ? A ficha técnica é crème de la crème...

Mas logo a seguir ...

Me capturou um fascínio irresistível, instantâneo, me abduziu para uma irrealidade 100% paralela, incompreensível, fora deste mundo previsível e chato, numa viagem pelas regiões crepusculares da alma dos sertões mais recônditos rescendendo a Drummond e Guimarães Rosa, por rios VillaLobianos de matizes impressionistas franceses mesclados com o folclore mateiro, uma receita completamente psicodélica e atemporal.

Acachapante.

E me embrenhei por aquelas sendas, por aquelas sagas de uma terra de nome incerto e variável, sem dono, de um povo de tantos nomes e onde os homens nem têm mais nome, de tantos nomes que os homens têm...

Uma terra que gera um talento dessa natureza jamais seria uma terra qualquer.

Como podem caber tantas coisas e tantos sons e tantas histórias de tantos sonhos na cabeça e no coraçào de um mero conterrâneo nosso, um conterrâneo tâo simples de tão boa- gente que era ? Tão engraçado de tão espirituoso, de tão afetuoso apaixonado e apaixonante que era ?

Um gênio tão elegante de tão boa-praça que era, tão bom de conversa que não acabava mais ...

A parceria de Paulo Cesar Pinheiro é outro espanto, aliás, nada surpreendente por ser talento comprovado em tantas obras-primas de primeira grandeza, que me fazem chorar sempre um choro inexorável da alma.

Mais uma vez tomou conta de mim a pergunta sem resposta... de que matas e florestas elementais brotou esse espírito chamado Tom , aliás Antonio, por sinal Brasileiro, por acaso de Almeida, de berço Jobim, que jamais se perdeu do seu delírio de gênio prazeroso... e com quem tive o privilégio de ter respirado o mesmo ar ?

O que levou a esse gênio do pop mais cool da história... a mergulhar profundamente numa saga mitológica descomunal, completamente fora da curva ?

Jobim pirou completamente em Matita Perê...

É maravilhoso quando a Utopia da Arte converge numa obra atemporal.

Toda vez que não consigo retomar o meu fio da meada na música, lá está o Maestro Soberano pra me lembrar que sempre é possível , e que também tudo é possível.

Nunca houve ninguém como Tom.


 

 


 
 
 

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