top of page

guilherme

arantes

Vespera

  • Foto do escritor: Guilherme Arantes
    Guilherme Arantes
  • 11 de jun.
  • 2 min de leitura

Nestas semanas que antecedem um disco novo de inéditas, é inevitável vir à tona o tema :

o que é fazer arte, e o que é fazer entretenimento.

às vezes me perguntam, e eu próprio me pergunto se o que fazemos é entretenimento ou arte.

é uma questão intrincada, mas é fácil identificar para qual polo os meus colegas tendem mais a se identificar. Ou a se renderem, capitularem, se entregarem numa faina diária...

em qual território está o prazer de cada um, e mais especialmente, seu talento.

Eu não sou um bom entertainer. Isso eu já sei.

Por exemplo, não sei dançar. Ponto final.

Outra coisa que com a idade a gente aprende... é quando a gente não nasceu para fazer dinheiro, não veio do Universo ungido com a varinha de condão de quem nasceu para ficar milionário...

Muito por causa do desejo, ou vaidade, de sonhar em acumular canções e letras maravilhosas, ( se é que sou capaz ... mas não trocaria nenhuma das minhas questionáveis criações... por joias, carrões, mansões, corpão, bebidas e charutos, baladas, fazendas, cabeças de gado, e nem mesmo pela fama ... milhões de seguidores ... )

Uma coisa eu posso dizer que tenho vaidade : de repertório. E repertório não apenas das coisas que eu consegui fazer, mas de experiências transcendentes também : revelações, repertório de aprendizado, e o melhor de tudo, repertório de Amor.

Alguns tentam me convencer que, se eu quisesse, poderia fazer shows e "lives" de covers ( como a que fiz na pandemia, um carinho de 5 horas ininterruptas de Hits para o público sofrido em casa... ) A estas alturas de 50 anos de trajetória, posso às vezes me sentir perdido sobre o que fazer, mas pelo menos já sei exatamente o que não fazer .

Repetidamente, tentam me convencer ( desde há 50 anos atrás, desde as festinhas do colégio, e, pasmem, até hoje ) a topar um repertório de covers, por exemplo, de Elton John, Beatles, Milton, pop internacional, coisas que adoro e me identifico 100% ... e até mesmo covers de um tal de Guilherme Arantes, ícone setentista, oitentista, de quem posso imediatamente sacar um punhado de hits e sair fabricando dinheiro e causando a felicidade geral do entretenimento.

Mas às vezes eu acho o showbiz uma fábrica de salsicha.

Na máquina, na engrenagem, de um lado entra um ser vivo, do outro lado sai uma pasta moída de proteína processada, que libera dopamina rápida, prazer instantâneo, mas faz mal para a saúde.

Não.

A minha maior alegria é poder olhar para a frente e dizer :

tenho uma mensagem para o mundo .

um propósito.

eu tive uma visão.

revolucionária.

eu vou compartilhar .

eu posso transformar o mundo .

quando e onde a minha canção tocar,

o mundo não será o mesmo.

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
O Busão do Guilherme

Eu vivi a minha vida pegando o mesmo busão as 4 da manha. CMTC. Largo da Concórdia. Não fui criado para burguês. Nunca ganhei carro, não tive calça Levis. Calça de tergal e Camisa Volta ao Mundo, japo

 
 
 
Lugar para Tudo

Há duas maneiras de encarar o "sucesso" musical. Uma mais comum, mais óbvia, fria e objetiva, é meramente quantitativa. É volátil, e pode durar pouco. São números. A outra, mais sutil , subjetiva e

 
 
 
Cesta-Básica

Papo-cabeça é, na verdade, fundamental para a saúde mental e o equilíbrio do Ser. Não é frescura supérflua, como insiste em parecer. Por mais que pareçam sem proposito, inúteis, as visões e percepçoes

 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page